CTT financiam projetos ambientais

8 de março, 2017

A conservação de cinco espécies de peixes de água doce ameaçadas em Portugal, a exploração de pastagens biodiversas portuguesas, a utilização de biomassa na produção cerâmica no Brasil, e a distribuição de fornos eficientes em Moçambique são os quatro projetos que estão desde dia 3 de março a votação pelos portugueses. Este financiamento faz parte do projeto de compensação carbónica dos CTT e permitirá reduzir a pegada ecológica dos seus produtos de correio expresso.

O voto inicia-se amanhã e prolonga-se até 21 de março, Dia Mundial da Floresta. O projeto de compensação carbónica CTT Expresso é uma das componentes da política de sustentabilidade associada aos produtos desta categoria, que incluem também a adoção das melhores práticas no que respeita à eficiência na prestação do serviço.

Nesse sentido, a CTT Expresso reduziu, em 2016, os seus consumos energéticos em 12% e a sua pegada carbónica e hídrica em 34% e 7%, respetivamente, face à média do último triénio. As emissões de CO2 diretas e indiretas (scopes 1 e 2) são neutralizadas no âmbito de projetos de compensação carbónica (é o caso dos projetos agora a votação) que apresentem benefícios ambientais, nomeadamente no combate às alterações climáticas e promoção da biodiversidade, mas também sociais, como a geração de emprego e a melhoria da qualidade de vida das comunidades locais.

O montante envolvido neste apoio ascende a 17 mil euros e será atribuído aos dois projetos mais votados, um português e um internacional. Deste modo os CTT devolvem à comunidade uma parte da confiança que lhes foi depositada, alargando o âmbito da sua política ambiental, que apoia já vários projetos de entidades públicas e organizações.

Para este propósito, os CTT criaram uma área especial na página de Facebook da Esfera CTT (https://www.facebook.com/EsferaCTT), denominada App Compensação Carbónica (https://apps.facebook.com/ctt_sustentabilidade/). É lá que qualquer pessoa pode votar nos projetos e ver em detalhes as suas características.

O primeiro dos projetos nacionais propostos denomina-se “Conservação de Organismos Fluviais” e pretende manter algumas espécies de peixes de água doce mais ameaçadas no nosso país, nomeadamente, o Ruivaco-do-Oeste, a Boga-portuguesa, escalo do Arade, escalo do Mira e boga-do-Sudoeste. Este projeto leva a cabo ações de reprodução destas espécies, bem como medidas de conservação do seu habitat. Até abril de 2016, o projeto procedeu à libertação no meio natural (Torres Vedras, Odemira e Silves) de milhares de peixes reproduzidos.

O segundo dos projetos, “Exploração de Pastagens Semeadas Biodiversas”, também nacional, tem o objetivo de promover boas práticas agrícolas e maximizar o potencial de sequestro de carbono no solo. As Pastagens Semeadas Biodiversas permanentes são ricas em leguminosas e podem conter até 20 espécies com uma maior capacidade fotossintética. A elevada fixação biológica de azoto nestas pastagens evita a utilização de adubos azotados com maiores impactos ambientais e mais altas emissões de Gases com Efeito de Estufa. Caracterizam-se ainda por uma durabilidade de 10 anos após o semeio. Desta forma, as características destas pastagens conferem-lhes uma capacidade de sequestro de carbono maior que as pastagens convencionais, pois conseguem manter teores mais elevados de matéria orgânica não degradada no solo.

Os CTT propõem também dois projetos internacionais. O primeiro deles é brasileiro e chama-se “Utilização de Biomassa Renovável”, um projeto que se desenvolve na fábrica de cerâmica Velotex, situada no Município de Itabaiana, no Estado do Sergipe, no Brasil, onde são fabricados produtos estruturais cerâmicos, como tijolos, para serem comercializados nos mercados locais. Estes produtos são produzidos com biomassa renovável ao invés de óleos pesados, muito mais prejudiciais para os ecossistemas da região.

O segundo deles acontece em Moçambique e consiste na distribuição de 5000 fornos eficientes a carvão vegetal. Este tipo de forno, com elevada eficiência, permite poupar até 50% do consumo de carvão face a outros modelos de fornos utilizados nas habitações, possibilitando às famílias beneficiadas poupar dinheiro e ainda reduzir as emissões de CO2 para a atmosfera.

Ainda neste ano os CTT atingiram o ranking mais elevado das empresas postais mundiais que melhor cumprem critérios de eficiência carbónica na sua atividade. As emissões carbónicas dos CTT são hoje apenas 30% das produzidas em 2008, i.e., foi conseguida uma redução de 70%. Foi a maior redução da pegada carbónica de sempre no seu setor, a nível mundial. Este lugar no grupo dos 5 melhores, com o nível de “Leadership” (A-), foi obtido no âmbito do Carbon Disclosure Project 2016 Climate Change (CDP), um índice do mercado de capitais que é o principal rating de sustentabilidade energética e carbónica a nível mundial.