Emissão filatélica dos CTT
2009-10-02
Selos evocam ativistas dos direitos femininos dos primeiros tempos da República
A instituição da República, em 1910, revelou uma geração de mulheres que se
distinguiram pelo seu ativismo, fundamental para a conquista de direitos cívicos e políticos das
mulheres portuguesas.
Os CTT homenageiam com uma nova emissão filatélica essas mulheres cuja ação e testemunho as
tornaram figuras indelevelmente associadas à história da República.
A coleção é constituída por seis selos e um bloco filatélico, que engloba outros dois
selos.
Dois dos selos, com o valor de 32 cêntimos, evocam as figuras de Maria Veleda e Adelaide
Cabete. A primeira, professora do ensino primário e escritora para crianças, fez parte da Liga
Republicana de Mulheres Portuguesas e do Grupo Português de Estudos Feministas, sendo defensora da
emancipação e participação política das mulheres. A segunda era médica ginecologista e professora e
lutou contra o flagelo da mortalidade infantil, do alcoolismo feminino e da prostituição, fundou a
Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e
organizou o I Congresso Feminista e de Educação.
O selo de 57 cêntimos recorda Ana de Castro Osório, escritora e defensora dos ideais
republicanos, que fundou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e esteve ligada a outros
movimentos feministas.
Angelina Vidal, professora, jornalista e propagandista dos direitos dos operários,
nomeadamente das mulheres, é a figura escolhida para o selo de 68 cêntimos e no de 80 cêntimos
aparece Carolina Beatriz Ângelo, a primeira médica a operar no Hospital de São José e primeira
eleitora portuguesa, em 1911, que esteve à frente da Associação de Propaganda Feminista.
A primeira mulher admitida como professora universitária na Faculdade de Letras de Coimbra foi
a romancista Carolina Michaëlis de Vasconcelos, cujo rosto ilustra o selo de 1 euro.
O bloco filatélico, com o valor de 2,30 euros, recorda mais dois nomes ilustres dos primeiros
tempos da República, a jornalista Virgínia Quaresma, uma das primeiras mulheres a licenciarem-se
pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que se distinguiu pelas suas reportagens de
teor politico e social, designadamente em
O Século e em
A Capital, e a escritora Emília de Sousa Costa, que contribuiu para a criação da Caixa de
Auxílio a Raparigas Estudantes Pobres, lecionou na Tutoria Central de Lisboa e pertenceu ao
Conselho Central da Federação Nacional dos Amigos das Crianças.
A coleção tem desenho gráfico de Vasco Marques, da Folk Design sobre fotos da revista Modas e
Bordados, do Diário de Notícias, do Radical e do arquivo da Voz do Operário.