Doces tradicionais portugueses chegam a nova emissão filatélica dos CTT

12 de maio, 2017

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No próximo dia 12 de maio os CTT apresentam uma nova emissão filatélica de selos autoadesivos dedicados a uma das mais perenes heranças gastronómicas nacionais: os doces tradicionais portugueses.  O pastel de Belém, os ovos-moles de Aveiro, o pastel de Tentúgal e as queijadas de Vila Franca do Campo foram os escolhidos de entre várias iguarias da doçaria portuguesa.

O pastel de Belém, um ícone da doçaria portuguesa, tem o seu início no Livro de Cozinha que a Infanta Dona Maria, neta do Rei D. Manuel I, levou no enxoval aquando do seu casamento com o Duque de Palma, com o nome de pastéis de leite. Nestes antecessores dos atuais pasteis é já possível ver como os ingredientes e a forma de confeção apontam para um prenúncio do que mais tarde serão os pastéis de nata, registados por Lucas Rygaud em 1826. Passados onze anos, inicia-se a produção dos pastéis em instalações próximas do Mosteiro dos Jerónimos, o que fez com que a sua reputação ficasse associada à designação ”Belém”. Ainda hoje, são muitos os turistas e lisboetas que lá acorrem para poderem provar este pastel tão tradicional e português, homenageado em selo.

Mais a Norte, em Aveiro, os ovos-moles, presentes num selo desta emissão, são o produto obtido pela junção de gemas a uma calda de açúcar. O facto destes doces se revestirem por hóstias deve-se a uma religiosa do Mosteiro de Jesus que assim tornou este doce mais manuseável. A escolha das formas lagunares ligadas à ria como navalheiras, mexilhões, conchas, búzios, entre outros, fez dos ovos-moles doces ainda mais apelativos. A receita nascida no Mosteiro de Jesus, provavelmente pelo fácil acesso ao açúcar que por decisão real era ali entregue, ficará para sempre ligada a Santa Joana Princesa, padroeira da cidade de Aveiro.

Nascidos no Convento do Carmo de Tentúgal, pelas mãos das irmãs do Carmelo, os pastéis de Tentúgal sobressaem pela suavidade das folhas que envolvem o doce de ovos e que, ainda hoje, são feitas numa dança quase ritual em que as pasteleiras desafiam a física e fazem o lençol de massa voar sob as suas mãos. Reconhecido como Indicação Geográfica Protegida desde 2013, o pastel de Tentúgal é um dos doces conventuais mais apreciados por todos os portugueses e agora está representado em selo nesta emissão filatélica.

Vila Franca do Campo, na Ilha de S. Miguel nos Açores, faz jus à imensa reputação que Portugal tem no domínio da doçaria graças às suas queijadas. Este doce é herdeiro da doçaria desenvolvida pelas irmãs do Convento de Santo André e somente em meados do século XX foi possível recuperar esta receita. Parte do seu sucesso depende da qualidade do leite que, depois de coalhado, serve de ingrediente principal. Quando em tempos não havia açúcar, era o mel que adoçava a massa. Estas queijadas, presentes num dos selos desta emissão, são dos doces mais procurados na Ilha de S. Miguel.

Esta emissão é composta por quatro selos autoadesivos: o selo do Pastel de Nata para envio nacional até 20g, o selo dos Ovos-moles de Aveiro para envio nacional por correio azul até 20g, o selo do Pastel de Tentúgal para envio na europa até 20g e o selo das queijadas para envio para o resto do mundo, até 20g. O design esteve a cargo do atelier Design&etc.

As obliterações de primeiro dia serão feitas nas lojas dos Restauradores em Lisboa, Munícipio no Porto, Zarco no Funchal, Antero de Quental em Ponta Delgada e Angra do Heroísmo.